para Renata Pekelman (que estava lá) e
para Sérgio Ramos (que devia estar lá)
na panela de pressão gigante
as crianças pastoras, as crianças borboletas
enquanto os podres poderes
(poderes enfim)
foram revistando e empurrando
e encantando plateias
com piadas gastas - sempre úteis, sempre efetivas
as pastorinhas vão dançando para o quase vazio
um vazio que é pleno
vazio que éramos nós
um quase que é tudo
um azul e um vermelho e um amarelo
amarelinho borboletinha
e no final finalmente
elas foram
mais grandes mais pessoas mais nós
que os que se fortificam com seguranças armados
e bajuladores
do que aqueles perdidos nos seus castelos
académicos vaidosos e
de centro de mundo
declaro o tempo da simplicidade
a beleza do corriqueiro
a luz do esquecido e apedrejado
o tom lúcido da espera
somos os palhaços de Deus
disse Francisco de Assis
somos os bufões do popular
com seus brilhos de cetim
com suas baixarias 7 cordas
e enquanto escuto Jorge Drexler
- apaixonado por Porto Alegre -
mando saudades e abraços
aos tempos gemelares
às luzes dos médicos bufões
aqueles
que na loucura e na risada
mostram
a vergonha dos donos
da festa oficial

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