segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

formspring.me

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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Copacabana Playa


comidas cervejas fervuras ardores calores extremos luzes cegas

Bia e o mar de Copa


O olhar vai ate o outro lado do Atlantico. Na avenida Atlantica. Natal íntimo e saboroso.

A pequena é a minha sobrinha Carol - de Brasilia.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Pastoril... Tenda Paulo Freire












para Renata Pekelman (que estava lá) e 
para Sérgio Ramos (que devia estar lá)


na panela de pressão gigante
as crianças pastoras, as crianças borboletas
enquanto os podres poderes
(poderes enfim)
foram revistando e empurrando
e encantando plateias
com piadas gastas - sempre úteis, sempre efetivas

as pastorinhas vão dançando para o quase vazio
um vazio que é pleno
vazio que éramos nós
um quase que é tudo
um azul e um vermelho e um amarelo
amarelinho borboletinha

e no final finalmente
elas foram
mais grandes mais pessoas mais nós
que os que se fortificam com seguranças armados
e bajuladores
do que aqueles perdidos nos seus castelos
académicos vaidosos e
de centro de mundo

declaro o tempo da simplicidade
a beleza do corriqueiro
a luz do esquecido e apedrejado
o tom lúcido da espera
somos os palhaços de Deus
disse Francisco de Assis
somos os bufões do popular
com seus brilhos de cetim
com suas baixarias 7 cordas

e enquanto escuto Jorge Drexler
- apaixonado por Porto Alegre -
mando saudades e abraços
aos tempos gemelares
às luzes dos médicos bufões
aqueles
que na loucura e na risada
mostram
a vergonha dos donos
da festa oficial

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Defesa de mestrado 1997


foto já histórica. Valla e turma.

domingo, 22 de novembro de 2009

Uma Galinha Cabidela Inesquecivel

Parabéns à cozinheira e ao ajudante!

Parabéns à companhia luxuosa da Simone, da Paulette e do especialíssimo Pacheco - além da presença clássica (pré-socrática na verdade) do Sérgio.

Nessa semana de congresso das vaidades e das resistências, o espaço das Graças foi o ambiente ideal para a nossa criatividade.

Iremos preparar um livro heterodoxo e heterônimo, um livro sem linguas nem papas...

Que a saúde coletiva rançosa se cuide.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Olinda, Paulo Freire


IMG_0128
Cargado originalmente por Wong Ko Kion
E afinal, o que faz uma cidade? Ficamos no ambiente artificial do Centro de Convenções no meio do calor e dos mosquitos. De longe, a Olinda histórica acenava (não fomos).

Nesse lugar - base militar de ETs abandonada - fincamos raízes, criamos abraços e vozes, nos aproximamos de grandes seres da Tenda Paulo Freire, do Congresso de Sáude Coletiva, e das periferias.

Trago comigo encontros marcantes, ao acaso quase, redescobertas gostosas, a visão de pelo menos três mulheres deslumbrantes, alguma atividade oficial interessante, muitas coisas legais na tenda - apesar da agenda oficial demais para o meu gosto, uma caminhada solitária na noite ventosa de Boa Viagem, e - essencial - as conversas que marcam, que mudam, que são pedras filosofais.

E as risadas. Anos que não ria tanto nem tão frequentemente. Risadas de todo tipo, humores de todo tipo: doces, inocentes, amargos, raivosos, irónicos, destruidores... não houve, com Sérgio nem com Iturri nem com a Renata... o politicamente correto...

Ri muito com o Eymard - embora eu deva me limitar pela amizade. Ri também um pouco dele, como ele riu de mim. Amizade de contraponto, tocatta e fuga, rios de afetos e cumplicidade.

Tanta alegria só podia levar a uma saudável ressaca e desapontamento ao voltar ao RJ, à rotina, aos dias ferventes. Mas aqui a Elda e as filhas me ensinam outra forma da alegria: a da história em comum, a do futuro, a dos pequenos gestos.

Más vários filhotinhos estão pedindo nascer: livros, diálogos, capítulos, imagens... novos amigos. Novos encantamentos.

Acho que o mundo vai encantar-se pela palavra, como disseram Carlos Brandão e Rubem Alves.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

a invenção de Recife...

foi a saudade que me trouxe pelo braço. só tenho boas recordações de Recife - e Pernambuco, o que conheci. Pessoas maravilhosas, lugares especialíssimos, espaços de mergulho espiritual e festivo, comidas inesquecíveis, conversas mágicas, caminhadas universais, mosteiros, igrejas, bares, artesãos, mestres da cultura popular, rios... pontes... overdrives... impresionantes estruturas de lama...

guaiamum e carangejo... siri mole e camarão gigante... tapioca e sorriso de tapioquera...

espaços de retorno - eternos retornos - formas sem limite, alegrias que invento e reinvento.

depois de 4 anos longos volto ao Recife, ào ventinho quente de Olinda, às ruelas que me abraçam, aos terreiros africanos, às mãos dos criadores de figurinhas, aos amantes do son cubano e das descargas (jam sessions), à paz deliciosa da Livraria Cultura...

eu invento meu Recife... mas quem não o faz?


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

de parar de se mexer

Lendo entrevista do Deleuze - que até nas entrevistas é difícil de entender - ele diz que o verdadeiro nómade é aquele que nega-se a viajar.

Eu, por outro lado, amo viajar. Faço isso pouco hoje. Mais uma das saudades que tenho do INCA que me permitiu viajar intensamente - pelo menos nos primeiros 3-4 anos de atividade na Coordenação de Prevenção e Controle do Câncer.

Hoje estou em compasso de espera de esmola (passagem) pela Abrasco. Isso me chateia um pouco porque fiz o pedido com uma antecedência exagerada, quase de serviço público. Afinal, associação de funcionários públicos funciona como serviço público padrão, mesmo que terceirice o processo.

Empresa privada que presta serviço ao público rapidamente adere aos vícios, faltas, e malandragens daquele - lembremos as clínicas conveniadas com o SUS (Sistema Único de Saúde para os que não moram no Brasil).

O meu nomadismo não deleuziano (gosto de me mexer, gosto do novo e de revisitar o encanto antigo, re-encontro, re-cordar) me chama um pouco...

Mas ao invés do francês, penso que viajar é bom. Que completa meu tardio processo de construção do Self (bildung).

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

um poema premiado


Minha filha Paula, que não é Emo, venceu um acirrado concurso de poesia na escola dela (a Waldorf) lá em Lima. http://www.waldorf-lima.edu.pe/

Como eu sou coruja mas hipercrítico publico ele com orgulho, honra e sérias dúvidas, rs. Afinal, está na moda o Crepúsculo. Brincadeira. Parabens a ela e a nós.

Infelizmente, acho que a pobrezinha segue o caminho sem futuro da arte. Aqui a Bia persegue a flauta e o piano. A Ana Clara vibra na dança e no teclado. Pobre da minha nova geração, repetindo os erros do velho pai.

Então, eis o poema - "sem nome, ainda não decidi pai..." da Paula Victoria, de 13 anos. Aliás, o Victoria foi em homenagem ao Valla, em 1996.


Los oyes?
Oyes como caminan entre las sábanas rotas
y cómo desgarran pájaros sangrantes en tu ventana?
Puedes ver acaso el arco de humo infinito
tan mezclado con el cielo que agoniza
y la rosa en tu pelo tan roja
y la sangre?


Nada se salva de los Caídos, mi niña,
vas a caer también, y tocarás el fondo

la muerte te amará como se ama a una hermana

aunque después de todo, no es eso lo que somos?

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

"Professor Victor Vincent Valla"


IMG_0361
Cargado originalmente por Wong Ko Kion
A imagem marcante da despedida.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Texto da Daniela Valla

Caras/os educadores populares da Rede:

Tive hoje o raro privilégio de receber um e-mail da filha mais nova do Valla, Daniela, contendo o texto que ela escreveu e leu no velório do pai, ontem em Ipanema. O papel era destinado a ficar dentro do caixão do Valla. Mas ela me explicou que as pessoas pediram para não deixar já que não havia outra cópia. Daniela digitou no computador e autorizou a divulgação.

Junto com a fala dos pastores da Igreja Independente de Ipanema, a leitura emocionada da Daniela ficará na memória de todos os que estivemos lá.

Ontem eu sai um pouquinho para respirar e olhar o mundo - a rua Joana Angêlica, desse bairro exótico (para mim) que é Ipanema. Então vi uma menina vindo com camisa do Botafogo. "O nosso time, Valla; coitado dele", eu falei pensando. E ai a menina para, abre a grade e começa a chorar. Fiquei sem jeito. Ela subiu a escadaria e entrou. Era a Daniela, que eu só tinha visto uns 13 anos atrás quando, junto com o Valla fomos pegar ela na escola - acho que devia ter uns 13 ou 14 anos.

Hoje que ando de ressaca, meio sem jeito, meio esburacado de alma, os e-mails da menina Valla foram luz de sol. Aqui o texto dela:


Rio, 08/09/09

Ontem o Brasil, ou melhor, o mundo ficou mais triste, perdeu parte do seu colorido. Em compensação, o céu ganhou mais uma estrela e por que não mais uma estrela solitária (do Botafogo) a brilhar?!

Americano, naturalizado brasileiro, professor, botafoguense, morador do tão amado catete, amigo, companheiro, marido, avô, pai... meu paizinho, meu amorzinho, nosso pai, o de seus quatro filhos, mas também o pai de tantos alunos, orientandos, brasileiros.

Com tanta garra lutou, estudou, orientou, trabalhou com tanto afinco até o fim, por uma educação mais justa, entendendo e ensinando a compreender a pobreza e a combatê-la.

Assim como eu, tantos outros o seguiram com orgulho e sem inspiram a cada dia. Eu me orgulho de mais de hoje estar onde estou e de tanto ter sido (e sei que ainda serei muito) perguntada: “Você é filha do Valla?”.

Obrigada por ter sido o nosso pai do seu jeito, que embora conturbado em alguns momentos, nos fez muito, muito felizes em inúmeros outros.

Sei que ao longo dos anos aprendi a te amar e compreender do jeito que você era. Nossa e como meu amor cresceu tanto. Me orgulho por ter te dito tantas vezes que te amava e ouvido o mesmo de você.

Sua busca por um Deus bondoso, um pai carinhoso foi incessante, até chegar aqui, na Igreja Cristã de Ipanema, com o Pastor Edson, onde dizia ter encontrado a verdadeira paz e onde hoje nos despedimos dele.

Você que amava tanto o seu catete nos deixou bem ali, no seu bairro do coração, com o Museu da República, o Palácio e tantos outros lugares especiais.

Sei que sentiremos muito a sua falta, mas depois de tanta luta para viver, chegou sua hora de descansar e vamos buscar entender que era o melhor.

Como bióloga, além de professora, sou obrigada a compreender que os ciclos se completam e se regeneram e por mais triste que seja é a lei da vida.

Mas também, por acreditar em um Deus que é bom e não nos abandona, sei também que você está em algum outro lugar junto Dele esperando todos nós e com certeza lendo seus livros, que você tanto nos ensinou a amar.

Hoje é dia de chorar, ficar triste, mas também rezar e pedir a Deus que abençoe a sua passagem e nos abençoe para que daqui para frente sintamos muita saudade, mas tristeza nunca.

Obrigada por ser o meu pai, o nosso pai, Vallinha, Valla, Victor, Victor Vincent Valla.

Te amamos muito e vá em Paz!

Daniela Fabrini Valla


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

a morte do Victor Valla (1)

Faz umas horas morreu o meu grande amigo e mestre (e pai espiritual) Victor Valla. Se não fosse por ele não estaria aqui no Brasil - nem refletiria sobre os temas exóticos (mas fundamentais) que acostumo pensar/escrever. Faz exatamente 1 ano (em 8 de 9 de 2008) escrevi este texto para uma homenagem que o Valla recebeu na ENSP Fiocruz:

Meu querido Victor:

A gente anda tão perto e tão longe!
O tempo dos encontros parece distante.
Oito anos de conversas, celebrações, descobertas, invenções, viagens interiores.
É tudo tão longe demais.

Lembro o dia que você me mostrou um caminho meio escondido da floresta da FIOCRUZ
E ai você disse: este caminho é o meu caminho. Ele é fresco e gosto de pensar
distraído, enquanto o percorro. E eu
olhando árvores, ouvindo pássaros, cogumelos escondidos, pequenos insetos familiares.

E então eu disse - assim, meio budista: talvez andar por aqui seja mais importante que o mestrado,
porque só os amigos recriam caminhos.
E você ficou me olhando com seu sorriso sacaninha de californiano danado,
dizendo, com seus óculos e sua barba: You got it!!!

A partir dai eu fui criando meus próprios caminhos, tão distantes, tão solitários,
tão bons quanto os seus - mas nunca tão altos, não.
Mas nunca esqueci desse que você - aquele que nos orienta
quando andamos perdidos - indicou com leveza de monge
da floresta de Sherwood, o frei feliz da sanfoninha...

Volta e meia - na minha meia idade recentemente percebida - me vejo reclamando
da ausência de Figueiras, do Bar Palácio, das caipirinhas quando anoitece,
das conversas leves sobre budismo zen e sobre os beatniks,
da celebração que era a chegada da Kita e seus projetos fotográficos,
da casa sua que fiquei cuidando meses e que também virou minha, com objetos
vivos, com palavras guardadas nos ângulos secretos e no meio
dos seus livros que tanto amei...

Assim, meu caro irmão e pai, eu abraço sua ausência - a mais
presente das ausências - e descrevo em mim
parte das suas piadas, das suas iluminações - satoris, nirvanas, frestas
descobertas. Assim

celebro sua permanência em centenas de corações
-- e nas utopias
dos seus donos, nós.

Salve Victor.

Julio.

Ps.- Qualquer homenagem da ENSP será pouca, mas por algum lugar tem que começar, não é?


[Julio]

Vai, meu amigo, plana sobre a California dos monges Zen, dos surfistas, dos Doors e dos Beatniks, volta ao berço sem deixar de ser brasileiro converso, apaixonado, profundo. Vai meu caro Victor. Eu é que agradeço.

sábado, 8 de agosto de 2009

Kaká em Copacabana


comendo biscoito de polvilho Globo

Posted by ShoZu

Old Mercury e Dia dos Pais


Main Centre, SK
Cargado originalmente por Dr_Drill

O abandono do ferro velho. Uma forma de humanizar os objetos amados - e seus cadáveres. Lembra uma velha caminhonete que fotografei na minha última ida a Tacna, com meu pai na CTI. Foi em Calientes - lugar quente mesmo no meio do deserto de Atacama.

Amanhã é o meu primeiro dia dos pais sem meu pai. Não é que eu tenha comemorado nenhum com ele, mas o coração fica mais só.

Assim, refugiado na Av. Atlántica, em lugar que outros invejariam, penso no deserto seco e quente onde nasci, nos hieróglifos de antigamente, nas lagartixas, nas uvas para aguardente.

O Galeano disse: no coração, a uva já é vinho; antes de ser uva já era vinho. E assim somos, somos desde sempre aquilo que desejamos ser.

Escuto o jazz leve do Chris Botti enquanto a família brinca de jogos de salão (Adivinha quem?) na mesa.

Copacabana. Playa. Sábado por la mañana.


Una foto a ciegas con el iphone mientras leo: Boaventura & Educação.

El trabajo de Boaventura de Sousa Santos es genial pero no combina bien con la playa, jajajaja...

Posted by ShoZu

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

A la Bacon


Blur
Cargado originalmente por Wong Ko Kion

Gosto do Francis Bacon, não sei por que nem quero saber. Gosto do impacto das imagens. É uma lembrança de sonhos futuros.

No último passeio a Buzios quis tirar uma foto com as meninas dentro do carro. Acho que a SX110 estava com baixa velocidade.

Saiu esta foto e gostei. É um Bacon brincalhão.

[Aliás sei que tem um livro do Deleuze sobre o Bacon. Quem sabe um dia eu leio. Não. Melhor conseguir um livrinho do próprio Bacon].

Os tempos da rádio


Na floresta dos símbolos o rádio sempre foi meu favorito. Nunca, realmente, pensei nisso. E é assim que se mantém a altura do Amor - tentando viver a experiência sem intelectualizar.

Por isso fiquei contente pelo convite de prefaciar o livro Educação em Saúde, utilizando rádio como estratégia.

Entretanto, sofri muito para escrever o pequeno texto que abre o livro.

O Ernande, enfermeiro, podcaster, radialista, utópico e revoltado (a ira justa contra os malvados) foi empurrando com esperança esse texto que hoje é livro. E um bom livro: apaixonado, útil, crítico.

Podem comprar ele diretamente no site da Editora CRV (ver no Google). Só procurem uma lente de aumento para ler com conforto, rs.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Nothin' but the blues...


Ninguém pergunta... mas se perguntassem: qual o tipo de música que você gosta mais de todas? eu diria que é o blues.

Oficialmente, conheci o blues em 1991 (fevereiro), nos camelos que se estreitavam por trás da catedral de Puno (a cidade de barro congelado ao lado do lago gigante do Altiplano peruano). Lá eu comprei umas fitas K-7 da coleção Crossroads do Eric Clapton e alguma coisa do BB King.

Depois, nesse mesmo ano, uma amiga de Nova York trouxe umas fitas para alguém que pediu mas depois sumiu do mapa (acontecia muito na inconstante miragem de Cuzco onde fui morar e trabalhar). Foram umas 7 fitas maravilhosas, incluindo as London Sessions de Howlin' Wolf com Eric Clapton, Steve Winwood, Mick Jagger e Keith Richards...

Depois... tudo se abriu e se abre.

Não direi que sou fanático. Nem escuto muito. Mas bastam os primeiros acordes de um blues para eu me sentir confortado, feliz, quase um jovem novamente nas ruelas de pedra de Cuzco.

Uns dias em Copa


ALPACA
Cargado originalmente por kristhianluis
Sinto-me uma alpaca em Copacabana. Me chamam de lhama, de cervo, de arigatô, de sayonara... anos atrás eu ficava zangado. Hoje acho graça.

Mas nunca gostarei de Copacabana (a do RJ, não a boliviana - maravilhosa aquela). Sempre com espertalhões procurando tirar dinheiro, enganar, pegar uns dólares ou pertences alheios.

Tudo bem, problema sócio-político e etcétera. Mesmo assim, um saco.

Ando alpaca - e ninguém me disse alpaca aqui. Ando com a cabeça nas montanhas dos andes. Saudades do frio da manhã do céu mais azul do mundo, do cheiro dos milhos, das batatas, do movimento das plantações de trigo, da áspera espiga de quínoa.

Em copa sou um camélido gorducho. Eis o meu coração. O que os outros vêm é um turista japonês, possível objeto de curiosidade, exploração, gozação, ou desprezo.

No prédio aqui onde nos refugiamos há aristocracias maldosas.

Convivemos lobos com jóias, e coelhos despreocupados. Famas e cronôpios.

Fico com a imagem da alpaca das alturas peruanas. Minhas alturas, afinal, mesmo que ninguém entenda nem enxergue.